Desânimo

sábado, 10 / janeiro / 2009

Bateu o desânimo. Minha vida parece dar voltas num círculo que nunca sái do lugar. Todas as tentativas de se avançar em qualquer rumo fracassam uma após a outra.

Eu sinto que tenho apenas uma coisa que sei fazer, sei programar, e consigo me disciplinar e produzir com isso. Mas sempre vai ter aquela hora em que o cérebro cansa, o sono parece vir, porém se vai logo que deito, me deixando só com meus pensamentos, a princípio, sobre algo que tinha acabado de fazer, e alguns planos que tenho, mas uma eu começo a pensar no resto, o mundo além disso, e vejo que há apenas um vazio.

Eu até tento voltar ao que pensava antes, mas o vazio já contaminou meu pensamento, eu lembro por mais genial que seja o que quer que eu faça, não há amigos me apoiando, não há namorada para tentar impressionar, não há nada fora de mim que realmente me puxe para frente.

Eu levanto, digo para mim mesmo que isso é fome, vou à cozinha, como, não ressolveu. Ando em círculos pelo apartamento, ligo o computador vejo alguns blogs, são engraçados e eu ri, mas é um riso superficial, e dura pouco, logo estou de volta aonde estava, uma parte irônica de mim me diz que eu preciso de um escapismo melhor.

O pior é que há uma ponta de esperança que não me deixa desistir, não me deixa entrar em nenhum processo auto-destrutivo, nesse sentido, meu lado irônico se alia à esperança dizendo que melhor nem tentar pois com certeza não serei bom nisto também. Não, eu posso nem quero parar. Me resta apenas continuar e sempre continuar.

Continuar o quê? qual o sentido disto, para que seguir em frente? Por não ter escolha em última hípotese é o que me move, além de que minha ala esperançosa me diz que eu vou conseguir superar minhas dificuldades, que eu no fundo mereço a vida normal que tanto anseio. As vezes convence, mas em momentos como este, parece desespero  e um tanto de comodismo, esperar que melhore. Quero mudar, preciso mudar, mas o que eu tenho que mudar nem sempre é claro.

Penso e consigo vislumbrar os meus defeitos, mas qual tenho que mudar? Minha falta de convicção e certeza sobre quase tudo? Minha insegurança sempre presente? Meu nervosismo descontrolado? Meu desligamento à respeito ao mundo ao redor? Minha falta de assunto ou os assuntos sem graça que tenho? E como mudar isso? Isto é caracteristica da minha personalidade, faz parte de mim. Como posso lutar contra eu mesmo? Por mais que eu odeie ser do jeito que sou, é impossivel fugir de si próprio.

Seria mais fácil se amigos para mim fossem mais do que rostos sombreados do passado, que figuras do que poderia ter sido? Se meus relacionamentos fossem além quase? Meu círculo social está todo na minha imaginação, baseado em fragmentos de pequenos sucessos, que precederam fracassos posteriores, mas são sempre lembrados por aquela pontinha de esperança.

No final das contas, estou preso em um novo ciclo agora, o ciclo do desânimo, que já faz parte de mim, e está sempre em guerra contra minha esperança. Uma mudança se faz necessária para sair do lugar, e eu até me mexo dou alguns passos, mas quando me dou por mim, foi apenas uma volta aonde estava, e sigo assim, dando voltas e voltas e voltas…

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One Response to “Desânimo”

  1. Fernando Osorio Says:

    Li seu post! Muito interessante! Talvez pudesse ter lido a mais tempo! Mas acho q talvez não haveria tanta diferença. O fato é que ja me senti e sinto em graus moderados a mesma coisa descrita por você acima! No entanto, tentei buscar as respostas fora e dentro. Acabei talvez encontrando uma possiblidade para observação desse fenômeno. Estamos constantemente consumindo, coisas, alimentos, novas emoções, falsos sonhos, pessoas, etc. Acredito que a base deste problema esteja na morte dos significados, dos objetivos. Um individuo é obrigado a se adaptar a padrões, na maioria das vezes, para suprir a condição: produção-consumo. Mas como sua pergunta acima: “Pra que continuar?”. Qual o sentido?. Talvez essa seja a resposta, a falta de sentidos. O eterno ciclo do consumo-produção(ou não?)-consumo. Pessoas compram, casam, viajam, buscando sempre um sentido que lhes falta (por dentro), e por mais que vc fuja, como vc disse é impossível fugir de si mesmo e desse vazio de sentido que acompanha um monte de ações automáticas e repetitivas. A superestimulação das pessoas, dos sentidos em busca de consumo e prazer, e a falta de sentido em todas essas mensagens torna as pessoas replicantes de comportamentos que nunca satisfazem a si mesmas e que a maioria nunca chega a entender ou a se questionar, perpetuando assim, um motocontínuo que sempre acaba num vazio de significado. Onde está a força motriz interna que move um indivíduo? Numa época sem ideais, ideias, paixões, não seria estranho notar, que estamos mais mortos do que vivos.
    Talvez, se eliminar tudo que não é fundamental, enfim se possa chegar a um esboço do que realmente é necessário e verdadeiro para preencher, de significado a ação, ou simplesmente, a alma.


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