“Fui picado por uma abelha” e outras histórias

terça-feira, 27 / janeiro / 2009

Há muito tempo atrás, ou nem tanto assim, afinal tenho apenas 20 anos, e há muito tempo atrás eu simplesmente não existia e nem ao menos era cogitado, aliás, sabendo que sou fruto de gravidez não planejada, eu desconfio que sequer fui cogitado realmente, apenas aconteci. Onde eu estava? Ah, sim, há um tempo atrás, que não foi ontem nem anteontem, nem ano passado nem… Ah, já estraguei esse parágrafo!

Novamente, quando eu estava no primeiro ano do ensino médio (tô no terceiro da facul… Façam as contas!), eu morava no interior, e ocorreu que no meu colégio de haver uma feira cultural. E ocorreu que a galera teve a idéia de fazer as barraquinhas com teto de palha, e como era interior e 90% dos meus colegas de turma haviam crescido na roça, ir buscar a palha na mata absolutamente não era má ideia. Na verdade era uma boa ideia, o erro foi me levar junto. Eu. Um cara que cresceu na cidade grande* jogando video game. Sinceramente, tinha como dar certo?

Enfim, estava eu na floresta densa no profundo âmago da Amazonia e… Ok, nem era tão densa assim. Na verdade eu fiquei o tempo todo na trilha, que era larga o suficiente para eu achar o caminho de volta mesmo se estivessemos a meia-noite em dia de lua nova debaixo de um temporal. Mas veja bem, eu cresci numa cidade que só tem ávore no centro**, e eu morava no subúrbio. Então o fato de ter batido em uma caixa de maribondos*** não foi tão surpreendente assim.

Cheguei em casa com cinco picadas na orelha, meio com febre e em uma caçamba de caminhão. Minha mãe pareceu-me um pouco chocada. Mas no outro dia eu levantei e fui pra feira do colégio e tudo transcorreu sem maiores problemas, exceto por ter encontrado minha ex-namorada por lá. Lidar com ex é difícil, ainda mais pra mim, que não sabia lidar com ela nem enquanto a namorava, mas eu levei a situação num boa, até disse um “oi, tudo bem?”, na verdade só a citei aqui, para que o parágrafo chegasse até o final.

Então, onde entra a abelha? Entrou hoje, provavelmente pela janela e pousou no chão da sala perto do computador. Sem que eu a visse, pisei nela. Sim, em plena cidade, num apartamento no terceiro andar. E quer saber, tá doendo. Muito. E eu tô mancando. E eu tava planejando ir no Fórum Social Mundial amanhã, mas tipo, se eu não conseguir andar será meio difícil, eu acho… E eu já paguei… Sim, estou com raiva, muita raiva. Mas não exatamente de quê… A abelha tá morta mesmo.

Notas:****
*
Belém não é uma cidade tão graaande assim, mas também não é qualquer município. Quer dizer, 3 milhões de pessoas se esbarrando em espaço limitado dá um certo status, sabe?
**
Ouvi falar que isso só acontece aqui em Belém, tipo é até engraçado, fora do centro é aquele sol de rachar e no centro fica aquele clima europeu. Mas as árvores tem seu lado ruim também, o prejuízo que há com as quedas de mangas em parabrisas  é tão grande que rola uma lenda de que a manutenção das árvores é mantido com os impostos advindos das oficinas que trocam parabrisas.
***
Maribondo, um bicho tão pervesso quanto a abelha, só que mais feio e incapaz de produzir mel.
****
Tive a idéia de colocar essas notas logo após perder o primeiro parágrafo por explicar minhas explicações. Eu já vi notas em outros blogs e acho que vai funcionar bem por aqui. Tipo em vez de parar para explicar, eu ponho uma nota e explico depois, aí eu não perco minha linha de raciocínio  e talvez tenhamos posts melhores.

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Desânimo

sábado, 10 / janeiro / 2009

Bateu o desânimo. Minha vida parece dar voltas num círculo que nunca sái do lugar. Todas as tentativas de se avançar em qualquer rumo fracassam uma após a outra.

Eu sinto que tenho apenas uma coisa que sei fazer, sei programar, e consigo me disciplinar e produzir com isso. Mas sempre vai ter aquela hora em que o cérebro cansa, o sono parece vir, porém se vai logo que deito, me deixando só com meus pensamentos, a princípio, sobre algo que tinha acabado de fazer, e alguns planos que tenho, mas uma eu começo a pensar no resto, o mundo além disso, e vejo que há apenas um vazio.

Eu até tento voltar ao que pensava antes, mas o vazio já contaminou meu pensamento, eu lembro por mais genial que seja o que quer que eu faça, não há amigos me apoiando, não há namorada para tentar impressionar, não há nada fora de mim que realmente me puxe para frente.

Eu levanto, digo para mim mesmo que isso é fome, vou à cozinha, como, não ressolveu. Ando em círculos pelo apartamento, ligo o computador vejo alguns blogs, são engraçados e eu ri, mas é um riso superficial, e dura pouco, logo estou de volta aonde estava, uma parte irônica de mim me diz que eu preciso de um escapismo melhor.

O pior é que há uma ponta de esperança que não me deixa desistir, não me deixa entrar em nenhum processo auto-destrutivo, nesse sentido, meu lado irônico se alia à esperança dizendo que melhor nem tentar pois com certeza não serei bom nisto também. Não, eu posso nem quero parar. Me resta apenas continuar e sempre continuar.

Continuar o quê? qual o sentido disto, para que seguir em frente? Por não ter escolha em última hípotese é o que me move, além de que minha ala esperançosa me diz que eu vou conseguir superar minhas dificuldades, que eu no fundo mereço a vida normal que tanto anseio. As vezes convence, mas em momentos como este, parece desespero  e um tanto de comodismo, esperar que melhore. Quero mudar, preciso mudar, mas o que eu tenho que mudar nem sempre é claro.

Penso e consigo vislumbrar os meus defeitos, mas qual tenho que mudar? Minha falta de convicção e certeza sobre quase tudo? Minha insegurança sempre presente? Meu nervosismo descontrolado? Meu desligamento à respeito ao mundo ao redor? Minha falta de assunto ou os assuntos sem graça que tenho? E como mudar isso? Isto é caracteristica da minha personalidade, faz parte de mim. Como posso lutar contra eu mesmo? Por mais que eu odeie ser do jeito que sou, é impossivel fugir de si próprio.

Seria mais fácil se amigos para mim fossem mais do que rostos sombreados do passado, que figuras do que poderia ter sido? Se meus relacionamentos fossem além quase? Meu círculo social está todo na minha imaginação, baseado em fragmentos de pequenos sucessos, que precederam fracassos posteriores, mas são sempre lembrados por aquela pontinha de esperança.

No final das contas, estou preso em um novo ciclo agora, o ciclo do desânimo, que já faz parte de mim, e está sempre em guerra contra minha esperança. Uma mudança se faz necessária para sair do lugar, e eu até me mexo dou alguns passos, mas quando me dou por mim, foi apenas uma volta aonde estava, e sigo assim, dando voltas e voltas e voltas…